quinta-feira, novembro 03, 2005

Sentado



Apetece-me dizer que grande parte dos cristãos deviam pedir perdão a Deus (e a si próprios) por duas coisas. A primeira por se permitirem o mau sofrimento, aquele que não é causa/consequência de crescimento mas sim de limitação. A segunda por usarem palas que só lhes permitem ver as coisas pela física.
Isto a propósito de..

Não consigo compreender muito bem porque é que quando morre um rapaz, os pais e os familiares e amigos ficam extremamente desgostosos com a situação. Mas se, por exemplo, o rapaz entrar para os monges da cartuxa, dependendo um bocado das pessoas, ficam apenas entre ligeiramente insatisfeitos e profundamente satisfeitos.
Em qualquer um dos casos as pessoas em questão nunca mais poderão ver o rapaz senão nas imagens que possam recordar, nem nunca mais poderão falar com ele senão em oração. E no entanto as reacções são diferentes.
Qual seria a diferença efectiva para estas pessoas se o rapaz dissesse que tinha morrido e tivesse entrado para a cartuxa ou dissesse que tinha entrado para a cartuxa e tivesse morrido?
É o facto de saber que existe um pedaço de carne e osso, mesmo que não se veja ou se sinta, que faz as pessoas mais felizes? Ou será o facto de se saber que a entrada na cartuxa tem possibilidade de voltar a trás e a morte não, sendo assim a felicidade baseada no conforto de uma expectativa hipotética a vida inteira?

Bem me quer parecer que a fisica do corpo não é assim tão significativa como se faz crer. Tanto podemos sentir viva uma pessoa que não vemos nem tocamos com sentir morta uma que vemos e tocamos.
Então afinal de onde vem o sofrimento das pessoas? ou porque surge? e para quê?
E não estou a negar que é real ou involuntário. Mas quantas coisas involuntárias dependem da nossa visão distorcidade e equivocada da realidade...


(Quem quiser saber mais sobre os monges da cartuxa )